Precisamos falar sobre: "Eu não sou Jessica Chen".


 Esse foi o meu primeiro contato verdadeiro com a Ann Liang. O primeiro que não abandonei, no caso. Já tinha lido um pouco do livro: "Se você pudesse ver o sol", mas não dei continuidade, pois não era o meu estilo. 
Eu terminei essa obra em uma única sentada, estava com minha filha no colo e passei 4 horas lendo enquanto a ninava e a deixava dormir no colo. 
Fiquei com muita dor nos braços e nas costas, mas valeu a pena o esforço porque fiquei imersa na experiência.
Esse livro fala sobre a busca por identidade e propósito pessoal. O que somos além das nossas obrigações? Existiríamos mesmo se não tivéssemos uma visão detalhada do que fazer e como fazer? O que acontece com as pessoas sem visão de futuro? O que acontece com quem vive a vida ao máximo sem se importar em ter um cronograma para tomar cada passo?
Essas são algumas perguntas que refletimos ao longo do livro. A protagonista acorda no corpo da prima, que tem a vida aparentemente perfeita, mas acaba se arrependendo. Ela nota que toda a perfeição tem um custo. Que as aparências não são tão importantes quanto os laços que criamos. Que errar faz parte do que é ser humano e que devemos aprender com os erros e não fingir que não existem ou ignorá-los. 
Quando Jenna acorda no corpo da prima, se sente no paraíso e resolve aproveitar a oportunidade, disposta a viver a vida da prima. Sem tentar voltar para a vida que odiava.
Mas, ao longo da trama, notamos que ela sente toda a pressão psicológica em torno do preço a se pagar por não se impor e viver de aparências.
Sua prima Jessica tinha dinheiro, influência e popularidade. Era sempre a melhor aluna, não importava para qual colégio fosse. Era sempre a melhor pessoa do ambiente. Mas, ela não tinha laços, não deixava as pessoas se aproximarem. Seus pais eram ausentes e só apareciam para pressioná-la, sem notar o quanto a filha estava sofrendo em sua frente. 
Jenna começa a sentir toda a tristeza e desespero de Jessica por nunca poder decepcionar, por sempre ter de ser a melhor em tudo. Pois, quando errava, se sentia a pior pessoa existente. 
Jenna notou então o quanto era especial cometer erros e ser acolhida. Apesar de pensar que isso era ruim, sentiu na pele o desespero em torno da perfeição.
Quando ela voltou ao próprio corpo, viu o quanto a prima se sentia solitária e desesperançosa; que não ficava feliz em ser perfeita, mas não sabia como mudar a narrativa. Pois criou um muro em volta de si e de seu "talento" (que na verdade era um esforço absurdo que fazia em relação a tudo).
O livro nos leva a refletir sobre como muitas vezes não pensamos sobre o quão privilegiados e especiais somos à nossa própria maneira.
No final, Jenna e Jessica se aproximam novamente e Jenna aceita as imperfeições de Jessica e, ao mesmo tempo, mostra como os erros são importantes e devemos sempre nos impor. Jenna torna a caminhada de Jessica mais leve, e a ajuda com suas questões pessoais, enquanto lida com seus próprios problemas. Nasce dali um sentimento companheiro e de irmandade.


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